sábado, 16 de maio de 2026

Marga, a Margarida (trabalhar inclusão)

 Maria Helena

      Marga era uma margarida que faltava duas pétalas. Por isso ela vivia sozinha, longe das demais flores e dos animais, porque se sentia feia. Marga remoía suas tristezas, quando ouviu o papagaio:

-   Haverá a terceira festa da primavera, todos estão convidados. Haverá a terceira festa da primavera, todos estão convidados!

      Marga pensou:- quando será? Onde será?  Não importa saber, eu não irei. Todos riem de mim, pois me faltam as pétalas.

Neste momento ela ouve: - Bom dia-ia-ia, como vai? Ai? Ai?

Marga vê um sapo e pergunta: - Você sente alguma dor, seu sapo? -

-  Não, ão  ão. - Responde o sapo.

-  Você está zombando de mim? -  Retrucou a margarida.

- Porque eu faria ia  ia, uma flor tão bonita ita  ita. - Diz o sapo.

-  Eu sabia!  Me deixe em paz! - Revida a margarida.

-  Que paz, az , az ...  Com este ar de tristeza, eza, eza.

-  Pare com isto! Rebate Marga.

- Como omo, eu não sei, ei – continua o sapo

-  Fale direito, senão, eu não respondo.

- Então ficaremos emos emos calados ados ados. Porque é assim que eu falo, alo alo.

Alguns minutos depois, Marga diz:

        - Está bem, bom dia!  Como vai?

- Agora, ora, ora muito melhor, com a sua companhia, ia  ia. – Responde o sapo.

- Com a minha companhia? É a primeira vez que ouço isso – pensou marga.

-  Sim, está linda inda Margarida ida, ida.

-  Mas, meu nome é Marga.

-  Marga, eu não entendo, endo, endo.

- Eu explico ico  ico – brincou Marga.

- Agora ora ora você está zombando de mim, retruca o sapo.

- Me desculpe. Quando eu percebi que me faltavam as pétalas, me senti amarga e as outras flores me chamam de marga.

- Ora essa essa. Vamos acabar com isto, isto! Vamos a festa esta, na floresta esta e você vai ver, ver.

- Não posso, não irei, nunca fui - afirmou Marga.

Neste momento novamente passa o papagaio:

-Haverá a terceira festa da Primavera, todos estão convidados.

Marga ficou irritada: - Por que o papagaio não diz o local e o horário da festa?

- É que ele só repete ete, ete o que lhe mandam andam, andam, e como ele não percebeu ainda, continua repetindo, indo,indo. Para você ver, er, er ninguém é perfeito eito eito.

- Mas eu não vou. – Diz Marga.

- Está bem, em, em. Amanhã à tarde arde eu por aqui passarei, ei, ei...-Disse o sapo.

Marga ficou mais triste ainda, porque agora possuía um amigo e seu amigo irá à festa.

Na tarde seguinte, Marga ouve: - Você está linda, inda. Já iremos, emos – disse sorrindo o sapo.

- Marga ficou surpresa – Mas ... eu ... não...

- Oh sim, im, im você não sabe o local al al. Não se preocupe upe, upe, minha flor, porque eu sei, ei.

E Marga, meio sem jeito, respira fundo e segue seu primeiro amigo, ela não podia decepcioná-lo.

O que viu Marga quando na festa chegou? Muitas flores e animais. Contudo, uma surpresa.

- Bom dia ia ia, dona centopeia, éia éia ou melhor, dona cinquentopeia, éia, éia – Brincou o sapo.

- Já lhe disse amigo sapo, que tenho cinquenta e seis patinhas, não são cem, mas também não são cinquenta – disse sorrindo a centopeia.

-  Sai da frente - gritou uma abelha.

- Pode seguir amiguinha, inha, inha, todos estão te vendo, endo, endo.

- Pelo que ouço é o compadre sapo. Muito obrigada, você representa os meus olhos, já que não enxergo – Agradece a abelha.

 Marga, calada ia observando tudo aquilo, a alegria da bicharada e não entendia, pois todos tinham alguma coisa diferente, para não dizer “problema”.

- Quem é sua amiga? - perguntou um trevo de quatro folhas.

- Esta é Marga arga, arga, uma linda flor, or, or.

-  Sem dúvidas – respondeu o trevo com quatro folhas.

Então chegaram os outros trevos com três folhas e brincaram: - Aí trevo, você com uma folha a mais, bem que poderia dar uma à sua amiga.

Marga entristeceu, mas logo foi reconfortada, pelo trevo:  - Ela não precisa, ela é completa, é linda!

Os trevos de três folhas se sentiram a mais e saíram. Então o sapo falou – Nem sempre empre  empre é bom ser comum um um. Vocês são todos iguais ais ais.

O trevo convidou Marga e o Sapo para a comilança e para a dança.

Marga, a tudo e a todos observava, cada qual com as suas diferenças, ou seja, cada qual com o seu “jeito”.

Então dela se aproxima um pássaro e ela não percebe – Bom dia jovem. Como vai?

- Eu estou bem e você? Responde marga.

- Muito bem, com esta festa aqui embaixo, não posso voar pois me falta uma asa.

- Mas se você precisar ... Como faz?

- Chamo meu amigo urubu, é este que está chegando – responde o pássaro, bem-te-vi.

- Mas é um pombo diferente – ressalta Marga.

- Pera lá dona rosa, não sou pombo.

- Rosa não, eu sou uma margarida.

-  Pombo não, eu sou um urubu e não ria.

O sapo observa a cena e se aproxima:

- Amigo brancão, ão, ão, como está o tempo, empo, empo lá em cima, ima, ima?

- Amigo sapo, lá em cima temos a vantagem de não ouvir certas bobagens – retruca o urubu.

-Calma Urú, quero lhe apresentar Marga, é a primeira vez que ela vem em nossa festa – Diz o Bem-te-vi.

- Ela é muito especial, al,al, muito amiga, iga,iga, a respeite, eite, eite, como nós todos nos respeitamos, amos, amos.

- Está bem, do que falavam? – Pergunta o urubu.

- Eu dizia – fala o Bem-te-vi - que minha asa não me faz falta porque tenho você que me ajuda, você é a minha asa que falta.

- É brancão, ão, ão  você completa o Bem-te-vi te vi.  Afirma o sapo.

- Não é assim, não. Ele é ele. E eu sou eu – Falou o urubu meio sem graça.

-Você percebeu, eu eu, Margarida que cada ada ada  um é um, do jeito que é, porque assim   im  im o fez a natureza eza   eza. – Continua o sapo - E é a diferença ença ença que faz a riqueza   eza   eza para o complemento ento ento. 
h! Eu sou um sapo apo apo e, isso, me faz feliz iz  iz ...

- É amigo sapo! Temos que aprender que somos completos, mesmo que pareça faltar algo. Confesso... não é fácil – reclamou Marga.

-Mas eu não disse que era, era. O importante ante ante é sentir a vida ida e entender que ninguém em em é perfeito, feito, feito, ou com defeito, feito, feito ou imperfeito, feito, FEITO

                Entendeu? eu  EU.

 

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