segunda-feira, 15 de outubro de 2012

EDUCAÇÃO ESCOLAR: PROFESSORES RESISTENTES A MUDANÇAS?



 
Aline Darós Hermani[1]
Maria Helena da Silva Meller[2]


Resumo

O presente trabalho tem como objetivo identificar o nível de resistência nos professores da escola de E. E. B. Municipal 12 de Maio no que se refere às mudanças na educação escolar, decorrentes do contexto social atual. Para tal desígnio, serve-se da fundamentação teórica no escopo da educação escolar e legislação. Quanto aos procedimentos metodológicos, trata-se de uma pesquisa descritiva predominantemente qualitativa. A coleta de dados ocorre por meio de questionários com o corpo docente da escola supracitada. Conclui-se que existe resistência à mudança, pois, na maioria das vezes, não se permitem responder algumas questões.

Palavras-chave: Educação escolar. Legislação. Mudança.




1. INTRODUÇÃO
           
A mudança é um fator muito comum no nosso dia a dia, sendo necessário que ela aconteça. A mudança pode ser benéfica ou trazer algum vínculo maléfico, mas é quase que impossível não aceitá-la. Devemos aceitar, principalmente, quando se trata de educação escolar.
A escola e o professor são a base do desenvolvimento social, intelectual e cultural no início de nossa formação. Esses três elementos, portanto, estão sujeitos a mudanças com o decorrer do tempo. Não podemos ensinar um aluno com os conhecimentos de trinta anos atrás. O professor deve aprimorar seu conhecimento, abrangendo as teorias, as tecnologias, e entre vários fatores que movem a educação.
O tema desse artigo é Educação: Professores Resistentes a Mudanças? E o objetivo da presente pesquisa é identificar as causas de resistência nos professores, às mudanças na educação escolar decorrentes do contexto social atual.



2. CONTEXTUALIZANDO A EDUCAÇÃO ESCOLAR NA ATUALIDADE


            De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais (2010), a escola de Educação Básica é um espaço coletivo de convívio, em que são privilegiadas trocas, acolhimento e aconchego para garantir o bem-estar de crianças, adolescentes, jovens, adultos, o relacionamento entre si e com as demais pessoas.
Segundo as DCN, a escola é uma instância em que se aprende a valorizar a riqueza das raízes culturais próprias das diferentes regiões do país que, juntas, formam a nação. Nela se resigna e recria a cultura herdada, reconstruindo as identidades culturais, em que se aprende a valorizar as raízes próprias das diferentes regiões do país.
O que realmente interessa é compreender o que é educação e se seu propósito vem sendo cumprindo nas escolas e na comunidade. O que utilizar para uma educação eficaz em sala de aula? Basta se apegar a alguma tendência?  

2.1  EDUCAÇÃO ESCOLAR E LEGISLAÇÃO



Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Magno:
“educação é o ato de educar, conjunto de ações pessoais, sociais e mesológicas exercidas pelos adultos sobre as gerações jovens no processo de socialização (processo que visa adaptar o ser imaturo ao meio social em que vive); formação da personalidade de uma criança, levando-se em consideração as suas necessidades bio-psíquico sociais, boas maneiras, polidez, aperfeiçoamento integral de todas as faculdades potenciais do homem. Nelson Pastor (1995, p. 349)
Assim, como o que foi citado acima, estabelece a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996:
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Na teoria, os legisladores garantem para todos os cidadãos o melhor a seu respeito. Por outro lado, o que assistimos no cotidiano contradiz o que afirma a Lei. Estudantes e educadores criticam a prática atual da educação no Brasil, afirmando esta realidade, que vem ao encontro com o que Brandão (2006) nos refere que não há igualdade social entre os brasileiros. A educação concretiza a estrutura classista que pesa sobre nós, não há nela nem a consciência nem fortalecimento dos nossos verdadeiros valores culturais.
Conforme o autor citado, o que existe na educação são interesses políticos de emprego e força de trabalho adequadamente qualificada, reduzindo o compromisso da formação da personalidade, ou seja, inscrevem o ato de educar entre as práticas político-econômicas das “arrancadas para o desenvolvimento”. Permite, assim, estratégias de reorganização de toda vida social, de acordo com projetos e interesses de reprodução do capital. Continua o autor, a educação deixa de ser vista como um privilégio, um direito apenas, e, deixa também de ser percebida como um meio de adaptação da pessoa, a mudança que se faz sem ela e o que somente afeta depois de feita.
A educação não está direcionada apenas à escola, acontece em todo lugar e a todo o momento.  A educação está ligada aos costumes, a cultura, ao modo de sobrevivência de cada povo. O que é apropriado para um povo pode ser impróprio para outro. Conforme Brandão (2006), de um modo ou de outro, todos nós envolvemos pedaços da vida com a educação, seja para aprender, para ensinar, para aprender e ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver.
O referido autor ainda indica um exemplo claro de que a educação pode ser diferente e ideal para cada tipo de comunidade, isto fica evidenciado na carta que os governantes dos Estados Unidos mandaram aos índios, convidando alguns de seus jovens às escolas dos “brancos”. Em um trecho da resposta dos índios, podemos perceber o impacto que a educação do povo “branco” causou:
“(...) muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltaram para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal”. (2006, p. 8)
A educação clássica deixa de ser um assunto privado, posse e questão da comunidade dos nobres dirigentes, e passa a ser questão de Estado, pública. Outrora, as crianças de família humilde não tinham direito à educação. Eram criadas como operários para assim servirem os mais favorecidos. Hoje todos têm direito a educação, não para sermos iguais, e sim porque ainda existe interesse político.
 A LDB, ainda, indica o papel dos professores em uma intuição escolar:
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.
Percebemos, então, o que acontece com a educação hoje nas escolas, ou seja, está longe do que vínhamos falando e condiz bem com a questão que Brandão (2006, p. 9)  nos coloca “(...) a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor”, pois gradativamente o sentido de educar se perde, e cada um apenas cumpre seu papel, professor de professor, aluno de aluno.  Conforme o autor, os gregos ensinam o que hoje esquecemos. A educação do homem existe por toda parte e, muito mais do que a escola, é o resultado da ação de todo o meio sociocultural sobre os seus participantes.

2.2  EDUCAÇÃO ESCOLAR: DA VISÃO POSITIVISTA À VISÃO CRÍTICA
            A educação acontece em todo lugar e não da mesma forma. Hoje encontramos várias formas de se conceber o fenômeno educativo. Segundo Mizukami (1986), são diferentes formas de aproximação que podem ser consideradas como mediações historicamente possíveis, que permitem explicá-lo, se não em sua totalidade, pelo menos em alguns de seus aspectos.
            Faremos uma análise comparativa das cinco abordagens citadas por Mizukami, às abordagens: tradicional, comportamentalista, humanista, cognitivista e sócio-cultural, com prioridade nas suas características principais.
            Na abordagem tradicional, segundo a referida autora, a educação, na maioria das vezes, é entendida com instrução qualificada como transmissão de conhecimentos e restrita à ação da escola. Caracteriza-se pela transmissão de ideias selecionadas e organizadas logicamente. Essa abordagem é encontrada em vários momentos da história até os dias atuais. O professor se resume a um simples mediador entre o aluno e os modelos.
            Segundo a autora, a abordagem comportamentalista tem outra ideia de educação, o conhecimento é uma “descoberta” e é nova para o indivíduo que a faz, considerando a experiência como a base do conhecimento. Caracteriza-se pela organização dos elementos para experiência e a aprendizagem acontece através dela, garantida pela sua programação.  O professor tem a responsabilidade de planejar e desenvolver o sistema de ensino e o desempenho do aluno é maximizado.
A abordagem humanista dá ênfase às relações interpessoais, concentram-se em desenvolver a personalidade do aluno, organização pessoal da realidade, capacitando a se integrar na sociedade. Dando ênfase, também, a vida psicológica, autoconceito, visão autêntica de si mesmo. O professor, não apenas, transmite conteúdo, mas dá assistência, cria condições para que os alunos aprendam. A atividade é considerada um processo natural, que se realiza através da interação com o meio e com as próprias experiências vivenciadas. (MIZUKAMI, 1986).
A referida autora assevera que na abordagem cognitivista o aluno reinventa o processo racional da humanidade, e na medida em que reinventa desenvolve a sua inteligência. Possibilita ao aluno o desenvolvimento de sua ação motora, verbal e mental de forma que possa posteriormente intervir no processo sócio-cultural e inovar a sociedade. O objetivo desta abordagem não é a transmissão de verdades, demonstrações e modelos, e sim que o aluno aprenda conquistando essas verdades por si próprias. O professor tem papel de evitar rotina, fixação de respostas, hábitos. Deve propor problemas aos alunos sem ensinar-lhes as soluções, provocar desafios orientando o aluno.
Nesta última abordagem, sócio-cultural, afirma a autora, o desenvolvimento do conhecimento está ligado ao processo de conscientização. O conhecimento é criado a partir do mútuo condicionamento, pensamento e prática. O professor procura questionar com o aluno a cultura dominante, valorizando a linguagem e a cultura deste, criando condições para que o aluno analise seu contexto e produza cultura. É necessário que o educador se torne educando e o educando se torne educador para que o processo educacional seja real.
            As abordagens citadas têm seu papel na educação escolar, com visão crítica ou visão positiva, dependendo do ponto de vista de quem a utiliza, mas são necessárias para o desenvolvimento.
            Diante do exposto e da legislação atual, percebe-se que a tendência sócio-cultural é a abordagem imprescindível ao contexto brasileiro contemporâneo.
            Vale aqui destacar, contudo, que a educação não se faz só de tendências, há o envolvimento de muitas pessoas, sendo fundamental a do professor. Paulo Freire (1996), em seu livro Pedagogia da Autonomia destaca alguns saberes que se fazem necessárias a prática docente. O ponto principal que o educador deve ter consciência é de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a produção ou construção do mesmo.
Ensinar demanda muito mais que a formação do professor, exige um educador democrático que reforce a capacidade crítica do aluno, pois aprender criticamente é possível. Segundo o autor mencionado, essas condições exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, curiosos, humildes e persistentes. Ensinar pede respeito ao saberes dos estudantes, trazer suas experiências e discutir com os demais em sala de aula, pede pesquisas, pesquisa-se para constatar, constatando intervenho, intervindo educo e me educo, diz Paulo Freire (1996).
O referido autor adverte que ensinar exige aceitação do novo, que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, e o velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo. Aqui, fica bem visível a sua percepção sobre a utilização da metodologia.
De acordo com o autor supracitado, o professor deve ter disponibilidade ao risco, a essa aceitação, já que as mudanças são constantes e inevitáveis. Resisti-las é como continuar no velho, o velho que não tem mais validade, que não tem sua marca e que no presente continua velho. Destaca, ainda, que ensinar exige consciência do inacabado, como professor crítico, tem responsabilidade, predisposição à mudança, à aceitação do diferente.


3. FORMAÇÃO DOCENTE


O professor tem uma influência bastante significativa na vida dos alunos, todos nós passamos por esse processo chamado aprendizagem. O professor tem uma tarefa difícil, e suas atitudes profissionais tem efeito em nossas vidas. Atualmente, encontram-se nos professores, várias personalidades que ajudam e prejudicam o desenvolvimento dos alunos.
Não se sabe mais o sentido de educar, não se procura ver onde está o erro para poder consertar na educação e, com isso, o professor perde seu papel na sociedade, o que se observa é que muitos não sabem o que fazem em sala de aula.



3.1 O PAPEL SOCIAL DO PROFESSOR


Como já sabemos o papel do professor se resume em uma palavra: educar. Entretanto, o que é educar? No início desse artigo definimos esta palavra, porém Edgar Morin (2004) levanta uma questão bastante interessante que, com certeza, contribui ou contribuiria para um desenvolvimento mais eficaz da sociedade.
Percebe-se que na atualidade o ensino escolar privilegia a separação dos conhecimentos e, segundo Morin (2004), nosso modo de conhecimento desune os objetos entre si e precisamos conceber o que os une. O que propõe o autor é procurar sempre as relações e interretro-ações entre cada fenômeno e seu contexto, trata-se de reconhecer a unidade dentro do diverso; o diverso dentro da unidade; reconhecer a unidade humana em meio às diversidades individuais e culturais; as diversidades individuais e culturais em meio à unidade humana.
Freire (1996) destaca que é um saber indispensável à prática docente, saber da impossibilidade e de desunir os conteúdos.
            Preocupa-se em ensinar biologia, matemática, português, física, entre todos os outros conteúdos programados, sem valorizar o maior dos saberes da vida humana: a vida, a sociedade, o mundo e a verdade. Morin (2004) acredita que a educação deveria iniciar partindo dessas indagações.
            O que se percebe é o estudante sendo preparado para prestar um vestibular, fazer e concluir o ensino superior, sem ao menos saber viver em sociedade, sem respeito com o próximo, sem honestidade. Os principais valores estão sendo esquecidos.
            Desde o início desse texto, falamos da importância educacional em nossas vidas. Em casa temos uma base que é a família, além da família temos a escola. A educação é à base do nosso desenvolvimento e tem necessidade de uma base maior para nos tornamos cidadãos para, assim, estarmos preparados a viver em sociedade e não somente para prestar vestibular, não desmerecendo seu valor, mas a educação não pode ser resumida somente a esse tipo de preparação.
 Cita-se aqui os quatro pilares da educação indicados por Jacques Deloers (2003), os principais valores que temos necessidades de aprender e que mudaria toda essa realidade se fossem utilizadas. Os quatro pilares da educação são: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e; aprender a ser.
Aprender a compreender o mundo em que vivemos, compreender as pessoas e respeitá-las, aceitar as diferenças sem pré-conceito. Aprender a ser profissional, a ser amigo e viver dignamente. Aprender a aprender exercitando a atenção, memória e o pensamento. Aprender a fazer, e não preparar alguém a uma determinada tarefa. São valores esquecidos pelos professores que não vem cumprindo seu real papel na sociedade.
Retomamos então com Paulo Freire (1996), quando nos mostra como ser um profissional da educação, em que uma de suas qualidades indispensável é a generosidade e, além de tudo, tem que ter segurança em si próprio, a segurança expressada na firmeza com a qual atua. Para exercer seu papel na sociedade, o professor deve ter comprometimento com sua formação. O docente que não leva a sério e não se prontifica a estudar mais para estar à altura de sua tarefa, não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe.
Para atuar o professor precisa estar preparado teoricamente, porém o professor é muito mais que uma “caixinha” de conhecimento, ele é um exemplo de ser humano, por isso ele tem o dever de testemunhar aos alunos o quanto é fundamental respeitá-lo e ser respeitado, conforme Freire (1996).
 É fundamental e óbvio que os professores tenham sua formação, entretanto, é um processo permanente, diz Freire (1996). Enquanto professor deve-se estar sempre buscando novos conhecimentos e atualizando os que possuem.
Freire (1996) destaca, ainda, que o professor deve perceber na reação dos alunos o seu desempenho, isso não significa perguntar aos alunos o que acham ou como eles o avaliam, e sim estar atento, aprender a significação de um silêncio, ou até mesmo de um sorriso.
Todo o ser humano deve ser preparado, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valores, de modo a poder decidir por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.

3.2  FORMAÇÃO DOCENTE – TEORIA E PRÁTICA
           
  Para exercer a profissão de educador deve, no mínimo, ser formado num curso de licenciatura. Assim garante a LDB, em seu Art. 62.
“A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, oferecida em nível médio, na modalidade Normal”.
            Neste mundo de eternas mudanças, o professor não deve parar seus estudos na graduação. Afirma Maurice Tardif (2000), que tanto em suas bases teóricas quanto em suas consequências práticas, os conhecimentos profissionais são evolutivos, progressivos e necessitam de uma formação contínua.
            Os conhecimentos e a personalidade são evolutivos, e não só nos professores, mas de um modo geral, estamos em constante desenvolvimento pessoal e intelectual. Essa evolução constante reflete nas nossas atitudes, e nos deixa como lição que devemos estar atentos a ela para melhorar nosso desempenho como educadores, fornecendo aos alunos qualidade no ensino.
Os profissionais da educação devem auto formar-se e reciclar-se através de diferentes meios e seus saberes são temporais, ou seja, são adquiridos conforme o tempo, completa Tardif (2000). Indicando, ainda, que são temporais em três sentidos que consideraremos agora, conforme Tardif.
Primeiramente, o professor traz consigo toda sua bagagem de conhecimentos anteriores, de crenças, representações e certezas sobre a prática docente e boa parte do que sabe sobre ensino, sobre o papel do professor, provem de sua própria história de vida. E esses fenômenos permanecem ao longo do tempo. Quando atuantes, os professores utilizam o que vem em sua bagagem para solucionar conflitos profissionais.
Os primeiros anos de prática profissional são decisivos na conquista do sentimento de competência e no estabelecimento das rotinas de trabalho e, a maioria dos professores, aprende a lidar com as diversas situações encontradas em sala de aula somente com a prática, por isso, é um momento bastante importante.
E, finalmente, o terceiro sentido é temporal, pois são utilizados e se desenvolvem no âmbito de uma carreira, isto é, de um processo de vida profissional de longa duração, da qual fazem parte dimensões identitárias e dimensões de socialização profissional, bem como fases e mudanças.
Essas três fases que Tardif comenta, vêm ao encontro com o que queremos compreender, se professores resistem às mudanças decorrentes na educação.  O professor tem que ter consciência de que precisa mudar sua prática docente, conforme os acontecimentos novos. É necessário, portanto, buscar constantemente mais conhecimentos, aperfeiçoar sua capacidade e suas atitudes.

4. TABULAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

            Para conclusão de dados, foi utilizado aplicação de questionários. Em sala de aula, atualmente, a E. E. B. Municipal 12 de Maio possui 24 professores. Foram entregues 24 instrumentos, a intenção seria ter dados de todos os docentes para melhor analisar, já que há poucos professores. Foram devolvidos sete questionários à pesquisadora, o que corresponde a 28%. Passa-se agora a descrição da análise dos dados a partir do levantamento teórico.
            O tempo de atuação de docência varia de 02 a 20 anos. Três possuem graduação e quatro docentes, especialização.
            Quando questionados sobre a abordagem aplicada em sala de aula, quatro não responderam, pois não entenderam a palavra abordagem; uma utiliza na maioria das vezes, a abordagem expositiva; e duas professoras descrevem utilizar apenas textos e realizar cálculos, da qual se conclui ser o método tradicional. Se o professor não sabe o que é abordagem, o que ele está utilizando em sala de aula?
“Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.” Paulo Freire (2004).

             Ao questionar se gostariam de utilizar algum outro tipo de abordagem na sala de aula, as quatro professoras que não sabem o que é abordagem não responderam; duas não gostariam de utilizar outra; e uma não trocaria o que está dando certo. Segundo Mizukami (1986), o que se espera do professor não é o domínio de uma ou mais abordagens, mas suas formas de articulação entre as mesmas e o fazer pedagógico do professor.
            Ao perguntar se encontram dificuldades para desenvolver sua prática pedagógica, seis respondem que não e uma responde que sim, isto é, falta de tempo para preparar as aulas e alunos que não contribuem para o desenvolvimento da aprendizagem.
Sabe-se que há muitas queixas com relação ao comportamento dos alunos, entre estas estão: não fazem as tarefas, dificuldade de aprendizagem, alunos com deficiência, pais que não vão à escola quando são chamados. Esses fatos são corriqueiros e perceptíveis não apenas àqueles que trabalham no âmbito escolar, também àqueles que, de certa forma, estão envolvido pelos laços escolares. É através de amigos e professores que é a nós revelado esses tipos de dificuldades. Então, questiona-se, será que essas professoras não encontram dificuldades ou não querem se preocupar com as questões que aparecem?
            De acordo com Freire (1996), é fundamental na formação do professor que ele tenha uma reflexão crítica sobre sua prática docente.
            Complementando a questão anterior, pergunta-se o que fazem perante as dificuldades citadas, seis não respondem e uma afirma que busca incentivar os alunos.
            Ao ser indagado sobre utilizar tecnologias em sala de aula, as respostas são as seguintes: três respondem que sim, quatro respondem que não.
            Conforme a DCN, existe uma distância entre a escola e a tecnologia que necessita ser superada. A tecnologia estimula a criação de novos métodos didáticos que podem ser inseridos no cotidiano escolar. A DCN ainda afirma que:

Não se pode, pois, ignorar que se vive: o avanço do uso da energia nuclear; da nanotecnologia a conquista da produção de alimentos geneticamente modificados; a clonagem biológica. Nesse contexto, tanto o docente quanto o estudante e o gestor requerem uma escola em que a cultura, a arte, a ciência e a tecnologia estejam presentes no cotidiano escolar, desde o início da Educação Básica.

            As docentes indicam como desvantagens a utilização de tecnologias: os professores que não utilizam tecnologia em sala de aula justificam que a escola até tem sala de computação, mas não tem professor de informática; outra professora responde que a escola não possui tecnologia; outra opinião é que eles mesmos não estão preparados para essa tecnologia.
            As desvantagens citadas acima foram feitas pelas professoras que haviam dito anteriormente que não encontravam dificuldades na escola. Quando pensado em tecnologia, o fato de não ser utilizada é responsabilidade da escola que não tem estrutura para isso, que tem sala, mas não tem professor capacitado, argumentam tais docentes. Todo professor deve ter o mínimo de entendimento dessas tecnologias, os alunos são completamente informatizados, muitos utilizam blogs, internet e passam horas em frente ao computador, que é uma ótima ferramenta para pesquisas e interação.
            Voltamos aqui à reflexão de Freire (1996), que o professor deve ter disponibilidade ao risco, aceitar o novo.
            Nas vantagens, as professoras citam que a tecnologia proporciona ao aluno o acesso a outras culturas. É uma ferramenta que auxilia o professor e permite ao aluno pesquisar, a trabalhar com jogos didáticos e proporcionar o conhecimento através de maneira prazerosa. Sim, não só o computador como TV, filmes educativos, etc., são ferramentas que proporcionam um bom aprendizado. Se o professor vê todas essas qualidades na tecnologia, é coerente que ele a domine.
Percebe-se que existe uma resistência muito grande ao novo. Há uma difícil aceitação em mudar. Mudar de personalidade, de comportamento, mudar a consciência, compreender que é necessária a aceitação das mudanças para o desenvolvimento, atualizar os conceitos e, principalmente, os conhecimentos.
            Pode-se destacar também que o professor não cumpre o que diz a lei, formar cidadãos, não é o que está acontecendo. Estão cumprindo suas horas, ensinando o que eles sabem, sem tentar melhorar sua capacidade de atuação.

5. CONCLUSÃO

            Após a leitura fundamentada e do resultado da análise, pode-se perceber que existe resistência dos professores em determinadas mudanças que estão ocorrendo no âmbito escolar, na forma de preparar aulas, de mediar o conhecimento e de aperfeiçoamento contínuo.
            Professores sem formação continuada, poderia se afirmar até, que, sem interesse. Precisam compreender o seu dever como profissional, estar atento às novas formas de conhecimentos, seja na sua área de atuação ou não. É, de fato, necessário se adaptar a tecnologia e melhorar seu desempenho para utilizar o computador, por exemplo, aprender a elaborar e utilizar jogos didáticos.
Nota-se que a dificuldade maior destes docentes é falar sobre as dificuldades que existem. Por que elas existem, em toda a análise as professoras se contradizem e isso demonstra que nem as profissionais reconhecem os seus limites e possibilidades. Desconhecem sua base teórica.
O que causa essa resistência à mudança é que as professoras estão acomodadas, por vezes, falta comprometimento, se preocupam e investem pouco em seu desempenho. O pouco de conhecimento, a formação continua insuficiente para buscar aprender a usar as tecnologias para envolver os alunos em sala de aula,  pois os mesmos estão imersos neste universo em seu cotidiano.
Aceitar o desenvolvimento de todos os segmentos da sociedade e com ele o desenvolvimento da escola. Os estudantes do século XXI não são os mesmos de século XX.
Em suma, precisa-se investir em formação continuada para que o professor perceba as suas necessidades, e como as demais profissões ele precisa acompanhar a evolução da tecnologia e aos avanços da ciência. Que a resistência faça do movimento de aceitação e não como negação do novo.




6. REFERÊNCIAS


BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2006.
BRASIL, PARECER CNE/CEB Nº: 7. Diretrizes Curriculares Nacionais da educação Básica, Brasília 7/4/2010. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index. Acesso em 08/03/12.
DELOERS, Jacques. Os Quatro Pilares da Educação. In: Educação: um tesouro a descobrir. 8ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESC, 2003. p. 89 – 102.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
PASTOR, Nelson; MAIA JUNIOR, Raul. Magno Dicionário da Língua Portuguesa.
São Paulo: Edipar, 1995
TARDIF, Maurice. Saberes profissionais dos professores e conhecimentos universitários.
Revista Brasileira de Educação. Jan/Fev/Mar/Abr. 2000. Nº 13. Disponível em educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n13/n13a02.pdf. Acesso em 21/01/2012



[1] Graduada em Matemática Licenciatura. E-mail: line_dh@hotmail.com
[2] Mestre em Educação – Uniplac convênio Unesc – mhsmeller@gmail.com

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO: ANÁLISE DA OBRA DE DONALD SCHON (usado como referência em concurso público)


Maria Helena 

Resumo:

Esse texto procede da leitura da obra de Donald Schon, Educando o profissional reflexivo: um design para o ensino e aprendizagem, fazendo a sua análise a partir das teorias de Paulo Freire. Portanto, uma pesquisa descritiva, cujo procedimento técnico é bibliográfico. Partiu da problemática: como educar o profissional para o século XXI, um egresso que requer mais que técnicas e sim uma formação para agir com autonomia nas contradições do mercado de trabalho? Objetiva-se analisar a obra como indicação no aprimoramento da performance dos docentes de cursos profissionalizantes. Em específico, busca-se compreender a importância de uma formação baseada em um ensino reflexivo. Ainda, elencar os elementos indicados pela obra no aprimoramento do processo ensino-aprendizagem e suas interrelações no cotidiano de uma escola profissionalizante. A proposta de Schon permite àquele que ensina, em qualquer ambiente, consentir que o aprendiz reconheça sua ignorância e desenhe seu projeto.


Palavras-chave: Formação profissional. Reflexão-ação. Designer.


1. INTRODUÇÃO


O tema deste trabalho resulta das buscas teóricas na ânsia de contribuir na formação docente dos profissionais liberais que se atreveram adentrar no universo escolar. Venho constatando, por meio do contato com este grupo de profissionais, que seu conhecimento acadêmico e sua prática em seu local de trabalho, quer em escritórios, consultórios, entre outros, não são o suficiente para propiciar, em suas aulas, uma metodologia capaz de subsidiar o estudante a buscar em si o desejo da pesquisa, da ação, de refletir sobre suas buscas. Portanto, como educar o profissional para o século XXI, um egresso que requer mais que técnicas e sim uma formação para agir com autonomia nas contradições do mercado de trabalho?

A obra de Donald Schon, neste momento, me traz um alento e um desejo em aprofundá-lo. Objetiva-se analisar a obra Educando o Profissional Reflexivo: um design para o ensino e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000. SCHÖN, Donald A., como indicação no aprimoramento da performance dos docentes de cursos profissionalizantes. Em específico, busca-se compreender a importância de uma formação baseada em um ensino reflexivo. Ainda, elencar os elementos indicados pela obra no aprimoramento do processo ensino-aprendizagem e suas interrelações no cotidiano de uma escola profissionalizante.

Esse texto decorre da leitura da obra indicada, fazendo a sua análise a partir das teorias de Paulo Freire por ser um educador brasileiro. Esta pesquisa em sua classificação, em nível de objetivo é descritiva, abordando o problema de forma qualitativa, cujo procedimento técnico é uma pesquisa bibliográfica.
Em Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire (1996) faz uma série de indicações para que o docente consiga propiciar ao estudante situações de aprendizado que levem à autonomia intelectual. Sendo este um dos objetivos previstos na maioria dos planejamentos de cursos profissionalizantes.
Segundo Gil (2002 apud OTANI, 2004) a pesquisa busca respostas aos questionamentos elencados, contudo exige racionalidade e sistemática, ou seja, procedimentos objetivos e exequíveis. Entende-se que a leitura e compreensão de um texto é condição para a sua análise.

2. COMPREENDENDO O TEXTO E O CONTEXTO

A visita a uma obra que te enfeitiça dificulta a compreensão, pois temos que tomar um distanciamento para poder fazer a leitura a partir do olhar do autor.
A obra Educando o Profissional Reflexivo, de Donald Schon, divide-se em quatro componentes, sendo subdividida em doze capítulos. Compreendendo a necessidade do talento artístico na educação profissional é a sua primeira chamada à reflexão.

Falar em formação profissional nos remete a uma visão tecnicista de educação. Porém, a obra nos incita a uma desconstrução destes parâmetros formatizados, propiciando uma reflexão a partir de um olhar humano, criativo. A atualidade necessita de especialistas, formação com habilidades e competências, capaz de atender as demandas do mercado de trabalho. Contudo, Schon afirma que este profissional nem sempre encontrará em seu arsenal as respostas certas para cada situação. Pois são situações diferentes, portanto exigem respostas díspares.

Schon (2000) utiliza o termo talento artístico profissional para referir-se aos tipos de competências e, esse, deve ser ensinado por meio da reflexão na ação. Não sendo essas competências fáceis de conseguir explicá-las na realidade, sem incorrer na possibilidade de fragilizar, ou omitir o que de fato se sabe fazer. Este saber fazer, se sente e não se explica. Assim, quando um docente consegue ensinar o seu aprendiz a se apropriar de uma habilidade, perpassando por tal talento. e não pela questão da teoria, fez uma grandiosa ação.

A expressão conhecer na ação, para o citado autor, são conhecimentos que são ações perceptíveis, observáveis, contudo a explicação não corresponde ao fato. É o processo tácito, implícito. Diferentemente, a reflexão na ação leva a constatações, pois pensa criticamente sobre o que está fazendo e modificando as estratégias, se necessários. Conhece o processo em que está imerso.
Para se considerar a prática profissional há que considerar as convenções partilhadas por uma área profissional e, o conhecer na prática, demanda estar no ambiente profissional, onde se executa determinada profissão em particular. Portanto, o ensino prático passa pela simulação, sob a orientação de um instrutor. Devem-se propiciar situações em que o estudante passe a pensar como um médico, advogado, por exemplo, diante dos problemas, a fim de resolvê-los. Pois necessita criar uma percepção de como aquele profissional reagiria diante de determinado quadro, problema a ser resolvido.

Essa asseveração vem ao encontro de Freire (1996) em Pedagogia da Autonomia, que faz suas reflexões acerca de como propiciar situações em que o estudante seja ao autor de sua teoria, a partir de sua prática. Que transcende à simples simulação, demonstração e sim perceber a importância da ação como ato social, contextualizado. Saber o que está fazendo, por que, para que, como e qual a repercussão deste ato em sua realidade.

Em cursos técnicos, quer em nível médio ou superior, por vezes, o docente não possui formação pedagógica, passando para o aprendiz as informações que estão previstas em seu planejamento. A proposta de Schon permite àquele que ensina, em qualquer ambiente: laboratório, em campo, em aulas de música ou mesmo em um ateliê de arquitetura, admitir que o aprendiz reconheça sua ignorância e desenhe seu projeto.

3. “O ATELIÊ DE PROJETOS ARQUITETÔNICOS COMO MODELO EDUCACIONAL PARA A REFLEXÃO NA AÇÃO”

O autor, referendado neste texto, traz, por meio do modelo ateliê utilizado em cursos de arquitetura, a ratificação da possibilidade em utilizar uma metodologia que consinta o diálogo.
Inicialmente o aluno não entende e nem poderia entender o que significa o projeto. (...) e o instrutor não tenta explicar tais coisas (...) porque elas somente podem ser compreendidas na experiência real do projeto (SCHON, 2000, p.73).

O ateliê de projetos, segundo as orientações de Schon (2000), estabelece um paradoxo se comparado ao processo ensino aprendizagem conforme o conhecemos. O autor cita o personagem Mênon, de Platão. No diálogo com Sócrates, esse induz o personagem a descobrir suas próprias perguntas por meio de questionamentos, ou seja, em princípio nem Mênon sabe o que deseja saber. Assim, o estudante em um ateliê de arquitetura, não sabe exatamente que projeto deseja desenvolver, contudo pela habilidade do instrutor em elaborar as perguntas certas, faz com que cada estudante pense sobre as possibilidades, cria o seu projeto e não simplesmente segue as orientações do instrutor.

O processo de elaboração de projetos com a reflexão na ação perpassa por todo um ritual. Passa pela compreensão do docente de como problematizar a questão, o projeto, a fim de fazer com que o aprendiz reflita sobre os elementos postos, o que deseja propor? Qual o ambiente? O que o suposto cliente deseja? Buscando alternativas teóricas para a resolução dos problemas, neste caso desenvolvendo autonomia.

O estudante tem uma percepção de seu projeto a partir dos seus conhecimentos. Quando apresenta ao instrutor, esse, no dizer de Schon, se afirmar que o estudante está errado não perceberá e nem levará o estudante a perceber que é apenas uma hipótese. Pois para que o aprendiz abra seus horizontes com relação às outras possibilidades, deverá ser instigado pelo instrutor e para isso o diálogo entre instrutor e estudante é fundamental. Levar o estudante a percorrer mentalmente a sua ação, pensar no que fez e porque e não no objetivo, resultado desejado. O estudante precisa se dar conta de seus avanços, construir seu aprendizado, se auto educar.

Esta proposta de mediação na qual o estudante desenvolve seu potencial a partir do diálogo, fazendo com que o mesmo reflita sobre a sua ação, demanda do instrutor um conhecimento ampliado sobre a metodologia para não incorrer em erros que são extremistas. Ou se isentar do processo, por medo de induzir o estudante, ou inibi-lo, ou ainda indicar os passos, que o professor presume terão sucesso. E o estudante não fazer a contradição, opor-se por não concordar e ou não entender. Diálogo, portanto nesta visão tem que haver a compreensão por parte do estudante daquilo que o instrutor deseja que esse perceba. O aprendiz, por vezes, nem sabe o que procura e o instrutor, por sua vez, não sabe o que dizer para se fazer entender.

O ensino prático reflexivo, de fato, para desenvolver as habilidades profissionais necessárias, deve privilegiar o pensamento dos estudantes. Dependem das habilidades também do instrutor em mostrar ao aprendiz o que ele procura, o que é um projeto adequado.

A reflexão na e ou sobre a prática e a questão da dialogicidade nos remetem a Freire (1996), principalmente quando se trata de performance, design, criação. O referido autor trata desta questão mostrando a importância que o ato de ensinar deve ter estética, não é uma simples transmissão de informações. Os autores envolvidos no processo, por meio do diálogo, demonstram humildade, pesquisa, rigorosidade científica, pois não é devido estar em um ateliê e ser por meio da conversação que não haja rigorosidade, não pode haver rigidez. Contudo, há a intencionalidade do instrutor em tentar desvelar com o aprendiz o seu projeto, o seu designe. Demanda de ambos, habilidades em lidar com o diálogo.

4. ENSINO PRÁTICO REFLEXIVO: EXEMPLOS E EXPERIÊNCIAS:

A presente obra de Schon traz por meio das experiências em ateliê de arquitetura, em aulas de piano, em consultório de psicanálise, as possibilidades de atuação utilizando-se da reflexão na prática, no designer do profissional, do talento artístico. É sobre este viés que discorre este capítulo.

Ao pensar no processo ensino aprendizagem, embora haja no discurso pedagógico, inovações afirmativas de paradigmas transformadores da sociedade, destarte, por vezes, reduzimos nosso conceito de ensino à sala de aula convencional. Contudo, existem vários espaços dedicados ao ensino.

O ensino reflexivo cunhado por Schon demanda muita experiência daquele que ensina. Sendo a experiência um conjunto de experimentos, um arsenal de determinada área, uma atividade importante é estar atento a relatos de experiências de profissionais competentes. É neste viés que se percebe a seriedade deste componente da obra do referido autor.
Nesse sentido, Freire (1996) enfatiza a importância da competência para quem ensina. E vai além, afirmando que ensinar é uma especificidade humana, ou seja, carece de segurança e generosidade. Pois a autoridade com que o professor expressa sua competência promove um ambiente de diálogo, ao contrário do autoritarismo, da arrogância de quem pensa que tudo sabe.

Schon, na obra ora analisada, indica a ideia do ensino prático reflexivo também na aprendizagem da música, por meio de um exemplo de um instrutor de piano e seu aprendiz. Que tipo de intervenção é possível sem usar de autoritarismo, sem cair na pura técnica? Pontuando como estabelecer um diálogo, estudante instrutor, baseado na confiança e, também, na rigorosidade, haja vista ter o objetivo de tocar uma música ou participar de uma orquestra.

Na medida em que o aprendiz demonstra o que sabe, o instrutor tem a visão do todo, do quanto ainda o estudante necessita se dedicar e avançar para chegar ao ideal, para tanto faz as intervenções, ora incentivando, ora indicando as fragilidades, ora fazendo o aprendiz perceber seus “erros”. A cada lição, instrutor e aprendiz lado a lado, exercitando, desenhando a trajetória, permeada pela comunicação que faz com que o estudante perceba a sua ação, reflita sobre a sua prática. O estudante precisa educar seu ouvido, distinguir sons, ritmo, o toque no teclado do piano, o tempo de cada nota. O instrutor deseja fazer com que o aprendiz execute a sua tarefa tal qual a ideia projetada para esta ação.

Não é uma tarefa fácil de executar, ensinar com rigorosidade, sem autoritarismo, e ao mesmo tempo fazendo as intervenções necessárias. Necessita de cumplicidade, pois não é só uma empreitada artística, demanda técnica, o instrutor não pode abafar o talento e, sim, fazer com que o estudante desvele, ouça a música que vem de seu coração e que pode traduzi-la no piano.

Comparando a postura de ambos: os instrutores que ensinam em ateliê de arquitetura e os maestros, o que há de comum é a relação que se estabelece entre docente e discente, o diálogo, respeitoso e compreensivo. Saber o que o estudante sabe, como ele aprende e onde necessita chegar. Instrutor saber se está se fazendo entender, orientar sem podar a criatividade de seu discípulo.
Schon traz mais um exemplo em sua obra, no sentido de propiciar uma reflexão das possibilidades em executar sua metodologia. Agora o talento artístico da prática psicanalítica.

Sem dúvida é necessário, levar a reflexão para as percepções que temos das profissões e de como a sociedade vem ensinando, formando seus profissionais. Pois ensinar em um ateliê de arquitetura, onde permeia a questão da arte e em aulas de piano, fica mais fácil a percepção da implantação desta proposta, a reflexão sobre e na prática, considerar os conhecimentos tácitos. No entanto, trazer à tona as profissões designadas como fundamentais ou mais importantes pela comunidade, até acadêmica, desenvolvendo tal proposta, para muitos pode levar à falta de competência, do desenvolvimento das habilidades necessárias, ainda sem respeito à uma especialização, de fato, técnica. Contudo, o crucial é que a proposta proporciona ao aprendiz o pensar como ... (advogado, administrador, psicanalista) este é o grande salto, pois apresenta de forma explícita que a prática transcende a simulação.

O autor traz a psicanálise como mais uma demonstração da possibilidade de aplicar a reflexão sobre a prática, por meio de um trabalho construcionista. Sabemos que a psicanálise ou qualquer outra escola de psicologia tem várias divergências teóricas, históricas e epistemológicas, no entanto, não faz parte da capacidade deste texto.

O trabalho do psicanalista diverge do fazer do arquiteto que trabalha com desenhos e instrumentos, sua relação com seu cliente é por meio de um projeto, assim como um músico que se relaciona com seu público através de seus instrumentos. Não obstante, um psicanalista ou psicólogo tem uma relação subjetiva e, porque não dizer de intersubjetividade com seu cliente. Por meio de encontros sistemáticos, ritualizados irá elaborando com o cliente sua busca, desvendando seus conflitos. 

Sem dúvida que, como em qualquer outra profissão, existem técnicas para a sua prática de consultórios. No entanto, pela proposta de Schon, os encontros do psicoterapeuta com o seu cliente, do supervisar com o psicoterapeuta têm uma conotação diferente das práticas atuais, dessa natureza. Nesse caso, o mediador entender e promover no outro a percepção do que não sabe do processo e o que precisa aprender. 

No mesmo sentido, ainda, ouvir sem estereótipos, conhecer o trajeto escolhido, ter consciência durante o tempo todo da caminhada que estão fazendo. Com intencionalidade, o designer, com arte. Conhecimento científico, no entanto, sem ser mecânico. Portanto, é possível na relação supervisor-terapeuta, terapeuta-paciente, respeitadas as teorias científicas, apresentar um novo designer para o processo de diálogo no desenvolvimento do procedimento de trabalho destes profissionais.

Na mesma proposição metodológica o autor sugere este trabalho com profissionais da área da administração por meio de aconselhamento e consultoria através de encontros nos quais os estudantes em número de 15 a 20 possam refletir sobre a sua prática, entretanto não uma discussão meramente técnica, mas de auto avaliação sobre as suas atitudes. Sendo um processo lento, pois os estudantes devem perceber suas visões cristalizadas, aceitar seus erros, os pontos de vista de outros, pois o ser humano, ainda, está muito arraigado a sua compreensão, tendo dificuldade em assumir de forma humilde a percepção dos colegas sobre as suas atitudes.

Certamente o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias ao século XXI passa pela auto avaliação dos sujeitos, pois a técnica desvinculada da forma de fazer os encaminhamentos em uma empresa, ir ao encontro da missão, trabalho cooperativado, isto tem um grande impacto nas empresas na atualidade, respeitando ainda, o processo de desenvolvimento dos sujeitos.

Vale destacar aqui os Quatro Pilares da Educação, os quais em 1994, Delors relata em um documento, Pistas e Recomendações da Comissão reunida, solicitada pela UNESCO. Nele indica que a educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser.

Aprender a conhecer, por entender que educação acontece ao longo da vida, também significa: aprender a aprender. Aprender de suas próprias experiências, o século XXI necessita mais do que profissionais competentes, esta é a ênfase do pilar aprender a fazer. Perceber que há uma interdependência entre os seres vivos no quesito ambiental e cultural, há que se Aprender a viver juntos, entre e com os diferentes e os iguais com respeito e cuidado. O conceito atual mais utilizado em empresas e escolas é a autonomia, portanto, aprender a ser, desta forma a formação do cidadão deve pautar-se na responsabilidade, investindo em suas potencialidades, respeitando os vários níveis e modalidades de conhecimentos.

Portanto, para o desenvolvimento de uma metodologia proposta por Schon demanda uma transformação de paradigmas, não somente um treinamento de profissionais.

5. “IMPLICAÇÕES PARA O APERFEIÇOAMENTO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL:”

Nesta última parte da obra, o autor retoma sua reflexão sobre a crise de educação profissional na atualidade. Norteia sua fala com as seguintes questões (SCHON, 2000, p.221):
• “Quais são as dinâmicas características de um ensino prático reflexivo?
• Como elas se assemelham ou diferem de um campo de prática para outro?
• Quais as principais questões, processos e competências envolvidos em fazer bom o trabalho de um ensino reflexivo?”

Para a introdução desta proposta há que se questionar a compreensão, filosofia e missão da instituição com relação à formação de seus egressos, ainda, se é uma escola técnica ou universidade. ”Inerente à situação problemática da escola profissional está um relacionamento de dois níveis, com os mundos da prática e da universidade como um todo” (SCHON, 2000, p.224).

Schon indica outra preocupação, a dicotomia, a separação da visão tecnicamente racional das disciplinas e a visão dos profissionais que se utilizam, do que Paulo Freire define como práxis, reflexão ação-reflexão, ou seja, o conhecimento de fato de todo o processo, pesquisando a própria prática.

O autor enfatiza duas etapas que ocorrem nas instituições, de pendendo de seu designer: “o Dilema Institucionalizado entre Rigor e Relevância; e o Jogo de Pressão” (2000, p.226). O primeiro diz respeito à falta de tempo que as disciplinas curriculares têm para serem desenvolvidas levando em consideração a reflexão sobre a prática. As faculdades divididas em departamentos, as disciplinas isoladas, cada professor com sua autonomia. Esta estrutura não permite o ensino reflexivo, pois demanda uma aproximação entre docentes, quebra de uma grade curricular isolada, mudança de metodologia, ou seja, outra política institucional. No entanto, o autor faz uma observação para que não se chegue ao extremo oposto, o trabalho somente com a prática, segregado das disciplinas.

Quanto ao Jogo de Pressão, há uma política em algumas universidades para aceitação de professores para cargos de chefia se estiverem ou não dentro do padrão estipulado, negando oportunidade para muitos que embora tenham competência, não defendam a linha teórica do departamento no caso, há um discurso de pluralidade teórica e de autonomia docente, destarte está atrelada a determinadas condições, tolhendo a liberdade do docente.

Diante do contexto, o autor faz as seguintes sugestões:
• "O dilema dos profissionais, sujeitos às limitações da liberdade de ação de seus ambientes organizacionais, deveria ser trazido para dentro do currículo profissional.
• Agora, é mais urgente do que nunca desenvolver conexões entre ciência aplicada e a reflexão-na-ação.
• Há uma necessidade de criar ou revitalizar uma fenomenologia da prática que inclua, como componente central, uma reflexão sobre a reflexão-na-ação dos profissionais em seus ambientes organizacionais” 2000, p.234).

Schon é enfático ao afirmar que para assumir sua proposta de trabalho, o docente deverá estudar sua própria prática, questionando se há disposição deste profissional para tal questão.
A obra de Donald Schon traz em seu último capítulo uma experiência em reforma curricular dentro de sua perspectiva de prática, na década de mil novecentos e setenta em M.I.T. Escola de Arquitetura e Planejamento.

O currículo para Sacristan (2000, p. 17) “reflete o conflito entre interesses dentro de uma sociedade e os valores dominantes que regem os processos educativos”. Diante disso, se verifica que modificar uma matriz curricular não se trata de uma tarefa simples, pois envolve questões políticas e culturais. Pois “os currículos (...) pretendem refletir o esquema socializador, formativo e cultural que a instituição escolar tem”. (SACRISTAN, 2000, p. 18).

Diante ao exposto, torna-se compreensível a narrativa indicarem na experiência os conflitos, angustias desconfianças, pois se está propondo algo novo que foge ao convencional, seguro, conhecido. Há uma divisão entre profissionais e estudantes. A comunidade acadêmica apresenta muitas dúvidas, pois na medida em que a construção inicia, as dúvidas aumentam, lembrando que toda proposta de um novo currículo deve passar por um comitê que avalia o projeto.

Não obstante a experiência testemunhou a escrita de duas obras porque a partir de 1982 quando o currículo foi aprovado, várias foram as lições: professores atuando juntos na mesma sala aprendendo uns com outros, fazia-se a síntese dos conteúdos conceituais, descobriu-se conexões entre disciplinas, estudantes trabalhando em grupos desenvolvendo competências genéricas. Muitas intenções cumpriram-se outras não. Diante desta mesma situação muitos reagiram de forma antagônica, pois sentiam-se isolados de outros grupos na instituição. Pela falta de conhecimento ou não aceitação da proposta havia descontinuidade no processo, devido troca a de professores. Estudantes que não tinham conhecimento prático buscavam intensamente nas leituras o conhecimento teórico faltando tempo para reflexão, queixavam-se do cansaço, o que leva o autor a ponderar que talvez esta proposta deva ser aplicada no decorrer da carreira profissional, como formação continuada.

Compreende-se que sua proposta é mais que uma inovação no processo ensino aprendizagem, é um comprometimento com uma educação que busca desenvolver um profissional com conhecimentos técnicos, respeitando seus conhecimentos tácitos, promovendo um ambiente de pesquisa, de perguntas, de reflexão, mais do que respostas.

6. CONCLUSÃO

A partir da leitura da obra de Schon é possível fazer algumas asseverações sobre outras possibilidades de ensino no ambiente dedicado a esse.

A importância de uma formação baseada em um ensino reflexivo se faz necessário na sociedade atual, pois essa busca mais que bons técnicos, está a procura de profissionais que tenham possibilidades de criar diante dos limites. Que consigam pensar sobre o que está executando, que vejam nos erros oportunidades e hipóteses de dar continuidade ao projeto, às pesquisas.

O autor narra questões práticas, vivências, o que o torna diferente de muitos autores academicistas que elaboram suas teorias a partir de outros teóricos. Assegura o autor que para o desenvolvimento desta proposta, refletir sobre a reflexão na ação, necessita o docente um conhecimento amplo sobre a sua prática, não somente em nível técnicos. Demanda, ainda, uma alteração no compreender currículo não somente como um amontoado de disciplinas, contudo que cada disciplina propicie o pensar, desafie os estudantes a buscar respostas, alternativas, criar a partir de seu projeto.

Conclui-se, a partir deste estudo, que há probabilidade de propiciar no processo ensino aprendizagem, uma alternativa aliando o conhecimento teórico com o prático rompendo com esta visão dicotômica que ainda persiste nos cursos profissionalizantes. Desenvolvendo assim, a criatividade de docentes e estudantes para, diante das instabilidades do mundo do trabalho, oferecer possibilidades diversas. Vale citar Freire (1996) que indica, para ensinar é necessário haver ética e, também, estética, deste modo, a boniteza do aprender.

7. REFERÊNCIAS
DELOERS, Jacques. Os Quatro Pilares da Educação. In: Educação: um tesouro a descobrir. 8ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESC, 2003. p. 89 – 102.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
OTANI, Nilo. Metodologia do Trabalho Científico. Criciúma, SC: ESUCRI, 2010.
SACRISTAN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed. 2000.
SCHÖN, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um design para o ensino e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

COORDENADOR PEDAGÓGICO ATUAL: POSSIBILIDADES E DESAFIOS

                                                            Maria Helena 


                    A história da educação é rica com relação as suas transformações. No que se refere aos seus dirigentes, para cada contexto histórico, os valores determinam as formas e normas vigentes, inclusive as relações interpessoais, em todas as instituições e a escola não poderia ficar ausente deste assunto.
                  As várias alterações sofridas na estrutura e funcionamento das instituições escolares, decorrentes de legislação, e questões sócios culturais, esboçam na atualidade um perfil que, ainda, busca uma definição. Pois, embora a escola seja uma organização, não é designada como empresa. Mesmo com funcionários e prestadora de serviço, seu papel social são a condiciona ao funcionamento de uma empresa. Porquanto, os papeis sociais exercidos por seus colaboradores obedecem a perfis alcunhados por outras literaturas.
                 Por menor que seja a escola, ela cumpre o mesmo papel, proporcionar o processo ensino aprendizagem, por isso está atrelada a uma série de leis, constituição federal, LDB, ECA, lei de acessibilidade, entre as leis complementares. Estando localizada em determinada comunidade estabelece uma relação com os moradores, comercio e demais instituições em seu entorno. Ainda, estabelece relacionamento, internamente com os estudantes, pais, professores e funcionários. Sendo o articulador principal de uma unidade escolar a equipe diretiva, quer composta apenas por um profissional ou tendo uma equipe composta por assessores e demais técnicos, como psicólogos, orientadores, supervisores ou coordenadores pedagógicos.
                A atualidade exige da escola mais que transmissão de informações, porquanto seus profissionais devem possuir alem de uma formação técnica de excelência, um perfil de pesquisador. No contexto atual as transformações são instantâneas e com pouca durabilidade. O que exige dos gestores escolares estarem a frente das informações, tendo conhecimentos de toda ordem.
               Este texto definirá o profissional aqui descrito como coordenador pedagógico, aquele que vem assumindo a vida na escola no quesito pedagógico: planejamentos, avaliação, relações interpessoais,...
Primeiramente este profissional deve conhecer-se saber de suas potencialidades e fragilidades, para tentar superá-las, ou seja, uma boa relação intra pessoal. A seguir uma relação interpessoal saudável, para tanto, utilizar da empatia nas relações que são estabelecidas no ambiente escolar, com seus pares, professores, direção, estudantes, pais e comunidade externa.
              O coordenador pedagógico diariamente está envolvido em conflitos, não se entendendo como brigas e sim como divergência de ideias entre as pessoas, cabe a ele fazer a mediação de forma respeitosa, independente de hierarquia. Ser autoridade, sem utilizar do autoritarismo. Assim, deve ser ético, responsável e conhecedor de suas funções.
Uma de suas atribuições é orientar o professor quanto ás questões pedagógicas da instituição, desde a sua chegada. Acolher o professor apresentar-lhe a escola suas políticas e normas, as formas de planejamento.

Alguns passos fundamentais:

• Acolher o professor desde seu início na instituição;
• Ouvi-lo em suas dúvidas e não simplesmente falar;
• Mostrar-lhe o organograma da escola, apresentando-lhe as pessoas com suas respectivas atribuições;
• Apresentar-lhe o Regimento, indicando deveres e direitos de estudantes e professores;
• Indicar o Projeto Pedagógico – e está diretamente ligado a sua função – teoria de aprendizagem de acordo com a proposta curricular, formas de elaborar o planejamento, como proceder com a avaliação processual.
• Legislação com relação a assiduidade dos estudantes
• Atribuições fora da sala de aula: conselho de classe, eventos, Mostras, Feiras, conversas com pais, reuniões pedagógicas, entre outros;
• Deixar claro que, mesmo o professor tendo muita experiência em outras instituições, esta é nova para ele, portanto deve conhecê-la para elaborar o diagnóstico, saber de sua cultura e rotina para fazer as intervenções de forma coerente.
• Colocar-se a disposição para qualquer dúvida.

Perfil profisssiografico/personológico para exercer tal atribuição;

• Honestidade
• Sinceridade
• Humildade
• Observador
• Organizado
• Fazer uso de empatia
• Saber ouvir sem esteriótipos
• Conhecedor de sua função
• Estar atualizado
• Pesquisador das questões pertinentes a sua atribuição
• Voltar atrás quando errar
• Saber trabalhar em equipe
• Administrar conflitos, harmonizando com tranqüilidade
• Tratar as pessoas com cortesia
• Respeitar todos, independente de cargo, função ou conhecimentos
• Fazer encaminhamentos e devoluções aos envolvidos
• Cumprir prazos e planejamentos
• Saber planejar
• Ser paciente nos processos, sem ser passivo
• Passar tranqüilidade e segurança para sua equipe
• Ser ético e justo;

Atribuições

Coordenador de curso


• Conhecedor da LDB, Lei Complementar e demais normas e resoluções de seu curso;
• Domínio das diretrizes curriculares nacionais de seu curso;
• Conhecedor do PPP e Regimento Escolar;
• Ser o elo entre direção e docentes;
• Definir com sua equipe o perfil de egresso a partir de documentos legais;
• Elaborar em conjunto o planejamento de curso;
• Orientar na elaboração dos planos de ensino, plano de aula, preenchimento do diário de classe dos docentes de seu curso;
• Acompanhar o desempenho dos docentes;
• Participar do pré conselho de classe;
• Acompanhar trabalho da OE referentes a estudantes de seus curso;
• Se interar de questões de conflitos entre docentes; e docente e estudante;
• Cumprir e fazer cumprir as combinações coletivas.
• Participar e coordenar eventos, Mostras, Feiras, conversas com pais, reuniões pedagógicas, entre outros de seu curso;

Coordenador de laboratórios/ateliês

• Conhecedor do PPP e Regimento Escolar;
• Conhecedor das matrizes curriculares dos cursos (devido conteúdos/prioridades);
• Responder por todas as atividades, tarefas, problemas deste espaço;
• Elaborar calendário de utilização do espaço, cumprindo e fazendo cumprir;
• Manter atualizado instrumentos e recursos necessários;
• Conservar instrumentos e recursos em bom estado de utilização;
• Cumprir e fazer cumprir as normas daquele ambiente;
• Executar os encaminhamentos necessários a sua atribuição;
• Manter seus superiores informados da condução de suas tarefas.
• Participar de reuniões pedagógicas,

O coordenador pedagógico e a formação continuada

             O coordenador, pelo fato de ter uma atribuição que lhe permite contato com todos os docentes e equipe diretiva, por meio de sua observação, deve ser capaz de detectar dificuldades e fragilidades no processo, elaborando assim possibilidades de estudos para este grupo. Indicando textos, leituras, reuniões de estudos ou mini cursos, partindo sempre das necessidades do grupo.
            Pensar em formação continuada, não necessariamente tenha que encaminhar os docentes para eventos fora da instituição, contudo permitir o encontro dos mesmos, que possam partilhar suas dúvidas e socializar sua prática, o que dando bons resultados.

             Concluindo, a equipe composta pelos coordenadores, deve pautar-se no PPP para ter uma prática única, no sentido que não haja divergência em orientações normativas e políticas da instituição, pois isso pode fragilizar a própria equipe, perdendo credibilidade diante do quadro de docentes e estudantes. Deve reunir-se com freqüência, iniciando pela organização do calendário e planejamento geral da escola no início do ano.
         Organizar um grupo de estudos para problematizar suas questões transformando em necessidades e ações. Estudar a própria prática a fim de aprimorá-la. Criando um código de ética entre colegas para que não haja “panelas” dentro da equipe.
            A função de um coordenador na instituição escolar na atualidade é um desafio edificante, pois traz inúmeras possibilidades de desenvolvimento como profissional e como ser humano.


Baseado nas leituras:

Sandra Nicastro, Marcela Andrezzi; Asesoraimento pedagógico em accion –
Tardif Maurice, Saberes docentes e formação profissional –
Eliane Bambini Gorgueira Bruno (org); O coordenador pedagógico e a educação Continuada –
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia.