sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

 


Maria Helena

 

Não possuo nenhuma pesquisa ou qualquer dado, nem mesmo vasculhei no google, apenas minha vivência na e com a educação escolar, no que se refere ao tema.

É recorrente ao conversar com profissionais, estudar projetos pedagógicos, ainda participação em avaliações de PMEs, sobre o tema educação especial, que o assunto não recaia para estudantes os quais apresentem alguma deficiência em seu processo de aprendizagem.

Como não possuímos concursos públicos frequentes, fazendo com que haja muita rotatividade de docentes nas escolas, assim não conhecem os alunos, nem uma cultura de fazer do histórico escolar, aquilo que lhe é inerente, ou seja, um documento onde conste a história de um estudante, ao início de cada ano ao fazer o diagnóstico, os docentes rapidamente conseguem fazer suas “sentenças”.

Sem querer generalizar e, muito menos, responsabilizar o docente, pois o ensino escolar constitui-se em um sistema, assim existem muitos elementos, como citado: cultura escolar, isso é muito forte, possui raízes profundas, temos a formação docente, e a própria equipe pedagógica que, por vezes, não possui uma habilitação necessária para o desenvolvimento de sua função.

Voltando ao tema, partindo do primeiro diagnóstico o docente tem o seu olhar para os estudantes que não atenderam aos objetivos propostos e aqueles cujo comportamento excede qualquer padrão estipulado para a faixa etária, ou seja, “sem limites”. Assim, se inicia a saga, conforme cada sistema de ensino e cultura escolar. Conversa com orientador/a pedagógico ou diretor/a, conversa com pais. Também temos aqui outro indicador, a idade e ano que a criança está cursando. Veja bem uma criança que está chegando na escola, possui o seu histórico de uma escola anterior. Uma criança chegando, pela primeira vez, seria na educação infantil, 4 anos. Portanto, é necessário conhecer as características e necessidades de uma criança nesta faixa etária, sobre linguagem expressiva e compreensiva, motricidade, sociabilidade, execução de atividades, etc. uma criança no ensino fundamental, além dos critérios citados, verificar também o domínio dos conteúdos, competências e habilidades que deveriam ter desenvolvido. Deste modo, um diagnóstico somente tem validade quando temos, um quadro real e um padrão, a serem comparados.

Mesmo os cursos de licenciaturas oferecendo uma disciplina de psicologia e uma de inclusão, ainda que muitos docentes cursem especialização sobre educação especial, sem dúvida, isso ajuda, contudo, a forma com que um sistema de ensino, por menor que seja, desenvolve seu trabalho com relação à educação especial, ainda é muito fragmentado.

Outro dado importante é a percepção e diferenciação nos encaminhamentos de uma criança com altas habilidades e aquela super estimulada pela família. Sabemos que um dos fatores que contribuem no aprendizado é o contato com o objeto a ser apreendido. Assim uma família cuja cultura traz em sua escala de valores a aquisição de livros, hábito de leitura, controle em aparelhos tecnológicos, TV, computador e também oferece atividades diferenciadas desafiando o raciocínio da criança, jogos, brincadeiras, onde há um estímulo diário para a aquisição de uma linguagem falada e escrita dentro de um padrão, essa criança consegue elaborar perguntas, sistematizar o pensamento, interpretar situações, analisar e sintetizar, ainda criar alternativas diferentes para determinado raciocínio, portanto se destacará dos demais colegas de sala. Sendo assim, esse estudante não pode ser imediatamente diagnosticado com altas habilidades. Pois os demais, provavelmente vivem de uma forma muito parecida entre si. Os pais ou cuidadores privilegiam a TV, computadores, redes sociais. Não possuem o hábito da leitura, do diálogo, conversam o essencial. As crianças são bastante estimuladas com cores, jogos, redes sociais, porém sem a mediação de um adulto, sem verificar quantas horas se detém diante de um programa, conversas com amigos, quais os tipos de jogos.

Diante ao exposto é necessário reconhecer e fazer os encaminhamentos necessários sem julgamentos prévios, conhecer o que consta no histórico do aluno. Por isso a importância do registro nos conselhos de classe. Observar se o planejamento é por competências e habilidades ou objetivos referentes aos conteúdos. Quando chamar a família para uma conversa, deve-se conhecer este histórico, ter os registros de chamadas anteriores, se for o caso, das medidas tomadas na época, dos encaminhamentos.

Com tantas leis, normas, pesquisas que o Brasil possui com referência ao tema, ainda se peca muito em ações. Muita morosidade até chegar ao diagnóstico e encaminhamento de uma educação necessária ao quadro daquele estudante. No meu parecer chamar de educação especial é redundante, pois o direito à educação é subjetivo, sendo para todos. E TODOS, não há especificações, exceções.  

Necessitamos fazer a lição de casa, trazer à tona esse tema, não com uma visão estereotipada e ouvidos viciados, contudo, com um novo olhar. Não resolve criar mais normativas, com certeza todo projeto pedagógico e regimento interno escolar prevê tudo que aqui está. Cada profissional em sua função: gestor municipal, escolar, coordenadores e demais que exercem função similar, psicólogos e docentes devem buscar, primeiro em si, quais são os seus conhecimentos acerca do assunto, depois entender que cada sujeito é o resultado da sua história. Não encontraremos dois seres iguais, portanto verificar características parecidas nos estudantes, não necessariamente esses precisem da mesma forma de intervenção.

Educação especial, em minha visão, especial deve ser o olhar daqueles que vivem a educação sobre cada sujeito. Pois não basta escrever no projeto pedagógico: ”contribuir na formação de um sujeito capaz de cumprir seus deveres e reconhecer seus direitos, exercendo sua cidadania. ” O espaço da educação escolar está cheio de frases feitas, clichês, está na hora de agir.

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

EDUCAR PARA A VIDA

                                                              Maria Helena

A escola foi criada quando determinada comunidade não conseguia conciliar os afazeres cotidiano com a atribuição de instruir os mais novos, para que os mesmos pudessem ganhar autonomia e caminhar com "suas próprias pernas". Ou seja, educar para que soubessem viver.

À medida em que a sociedade se transformava, o papel social da escola foi se contornando para satisfazer as necessidades da sociedade. Portanto, ao longo de sua existência, dependendo do contexto em que se criava mais uma unidade escolar, ou uma rede de escolas, essas recebem e elaboram seus projetos de intenções, a fim de cumprirem com o seu papel social.

No século XX, a escola foi alvo de muitos estudos, investigando fragilidades, políticas, ideologias, papel de instruir, ensinar, conhecimento, educar, enfim, foi estudada como um animal, em todas as suas células.

Estamos no século XXI, atravessando uma pandemia, como esboçado em posts anteriores neste Blog, meu ponto de vista sobre paradigmas, não entrarei no mérito desta questão. Tempos de pandemia e globalização: novo cenário da educação escolar

Nem sobre avaliação e aprendizagem, mas algumas reflexões, penso em outro nível, fora de questões normativas e legais, sobre o papel da escola como instituição da ciência. Desejo pensar a escola como um grupo de seres humanos que se reúnem diariamente, quer presencial, quer a presença mediada por um computador, onde se apresenta a voz, as expressões, os sorrisos, as cobranças, o ensino, mas não o cheiro, o sabor, o toque.

Venho constatando o número de docentes que estão adoecendo, porém somos adultos e, talvez, tenhamos um pouco mais de discernimento. Contudo, nossos adolescentes e jovens? Não... não é um apelo à volta das aulas presenciais, pois não possuo nenhuma pesquisa sobre qual questão apresenta um menor prejuízo para esta população. Estou refletindo dentro da realidade posta, qual o papel da escola, dentro da visão tradicional, libertadora, não diretiva, tecnicista, etc...sempre foi educar para a vida, quer reproduzir, quer transformar, quer saberes eruditos... PROFESSORES RESISTENTES OU AUTORIDADES LONGE DA REALIDADE DOCENTE??

Na atualidade, penso que a pergunta transcende o papel do sujeito enquanto cidadão, e sim como um ser humano e a escola como uma instituição, pois há outras na mesma condição, a família, a igreja, grupos de amigos... não se sabe muito bem o que fazer, em quem acreditar, são muitas as informações, são muitos cenários controversos, muita negatividade. Neste emaranhado em que nossos jovens estão vivendo, penso ser o maior ganho ensinar-lhes que são seres especiais, únicos e estão aqui para serem felizes e, neste momento, o papel da sociedade como um todo precisa virar a sua lente para esse grupo. Não pelo futuro, porém pelo presento dos mesmos.

Compreendo as leis e normativas, conheço os projetos pedagógicos, contudo, sem estudantes com o desejo de aprender não haverá escola com "excelência". Não se está perdendo um ano. Está se redefinindo o olhar para estes adolescentes pedindo socorro de uma forma onde, talvez, não saibam como e nem sequer tem a consciência da forma a qual devem comunicar para e com os demais, os quais passam por situação semelhante.

Não vou refletir, ou perguntar, não...eu vou afirmar é hora de acolhermos nossos estudantes como adolescentes e jovens que estão cansados, sobrecarregados, precisando de palavras firmes de otimismo, de possibilidades, de vida, alimentar com alegria, professor ouvir mais e falar menos, lembrar que a vida é só uma.

Façam um levantamento de quantos estudantes (e professores), em sua escola, estão muito doentes emocionalmente, espiritualmente e fisicamente. Entendendo aqui o conceito de doença como a frustração dos desejos impossíveis de realizar, como esse conjunto de questões negativas por meio de notícias, cobranças, falta de elogio, de diálogo, de contato físico, de carinho, de "colo".

Se a escola, como instituição, neste período, ensinar o amor próprio, a cuidar de si, de auxiliar para que este ser não se perca de si mesmo, haverá muito tempo para ensinar-lhes os conteúdos científicos, ou melhor, no momento em que precisarem, os próprios buscarão. Obrigada colegas, pelo empenho de cada um, no seu espaço em que me leem. 

sábado, 10 de outubro de 2020

REGISTRANDO MEMÓRIAS: TEMPO DE APRENDER

                                         Maria Helena

 

Em 21 e 22 de maio do ano corrente, fiz dois posts neste Blog, com os títulos, respectivamente: Tempos de Pandemia e Globalização: Novo Cenário da Educação Escolar; Avaliação Escolar em Tempos de Tecnologia e em 04 de junho: Professores Resistentes ou Autoridades longe da Realidade Docente?

Observando alguns estudantes, docentes e gestores neste processo, fico pensando que nunca as reflexões de Madalena Freire (1996) fizeram tanto sentido em suas orientações: Observação, Registro e Reflexão. Percebo uma grande preocupação da escola com o planejamento docente e a avaliação, no entanto, estariam registrando toda essa trajetória, todas as questões decorrentes deste momento de aula não presencial?

Outro dado fundamental observado por mim e, que, é o momento de enraizar é o tripé de uma universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão. Imagino o número de pesquisas como conclusão de curso na área da saúde sobre o corona vírus: na infância, adolescência, adulto, idosos, fitoterápicos, alopatia, homeopatia, alternativa, complementares, também as questões psicológicas, emocionais e sociais das citadas populações; fatores econômicos, empregabilidade como indicadores das dificuldades encontradas. Além disso, nunca se viu tanta procura por profissionais de tecnologia, setor de Desenvolvimento Humano, segurança do trabalho. Portanto, há um paradoxo, continua-se a ter um tema comum para a pesquisa, contudo, a relação intrínseca que sempre se buscou teoricamente no papel social da universidade continua fragmentado.

É visível, por meio dos treinamentos oferecidos pelas redes e Unidades Escolares, a justaposição de teorias tratando do assunto “novo normal”. É necessário prestar atenção nos termos: normal, deriva de norma. Onde e por que surgiu esse “marco”? Quem criou as normas? Toda norma é padrão, assim, estabelecido.

Estão sendo utilizados muitos termos com conceitos diferenciados, seria necessário reconhecer o conhecimento prévio do povo, dos grupos sociais. Quais canais são utilizados e quais filtros, para que a informação chegue a esses? E os processamentos de decodificação desta informação em seu contexto sociocultural? Estariam todas essas questões sendo descritas, observadas, teorizadas para a “história”, para que no processo não sejam repetidos os mesmos” erros” daqui 50, 70, 100 anos.

O denominado período pós-moderno, contemporaneidade e outras denominações “futuristas”, vem gerando uma rotina além de robótica, estressante, pois os jovens, estudantes, docentes, pais e gestores escolares, não estão conseguindo processar tantas orientações, tantas atualizações. Estão ficando “intoxicados”. Toda essa conjuntura necessita ser retratada e não somente as ferramentas utilizadas para as aulas remotas, as “metodologias” criadas. Ratificando que o conceito de metodologia transcende um conjunto de técnicas e recursos.

Voltando ao papel da universidade, neste contexto, suas pesquisas continuam com o mesmo tema, sem haver interlocução entre as áreas, nem utilizarei o termo interdisciplinaridade, pois o máximo que estão conseguindo é a multidisciplinaridade.

Portanto, vejo como imprescindível a forma de registro deste momento, e como esta teoria chegará aos envolvidos no processo, os agentes da recorrente história

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

ATUALIZAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO NA PANDEMIA

                                          Maria Helena

O PPP de uma instituição deve ser atualizado anualmente, em suas metas e ações, para saber as mesmas foram alcançadas, concretizadas. E o que não foi possível, além de ser justificado, ficará como uma necessidade incluída para o próximo ano letivo.

Diante do contexto vivido, das leis e normativos dos respectivos sistemas, como serão as orientações para as observações do PPP 2020 e planejamento 2021?

Lembrando as partes principais de um projeto: histórico da revisão do plano, com a justificativa, indicando a participação. Histórico da instituição e do nome, ainda uma questão fundamental, diagnóstico da comunidade. Pois bem, esse foi elaborado em fevereiro, recordando, portanto, o diagnóstico é a comparação do que temos, a realidade com o ideal em seus múltiplos aspectos para poder subsidiar aos docentes na compreensão dos estudantes, sua cultura, possibilidades de lazer, fator econômico, entre outros elementos interferentes no processo de aprender dos mesmos.

O marco referencial da escola não necessita ser alterado todo ano, porém a cada três, quatro anos, pois as transformações sociais, culturais são percebidas com um intervalo de tempo maior. Porém, a crise provocada pela pandemia veio de tal forma, conforme comentado em textos anteriores, sem tempos para planejar uma adequação, respeitando o período o necessário para estudar as situações e suas possíveis fragilidades. As ações foram previstas pensando no menor prejuízo para toda a sociedade, principalmente, aos estudantes. E quem criticou, creio ter sido devido às dúvidas geradas, naquele momento e hoje não há muitas certezas.

Outro item importante do projeto, o diagnóstico das turmas, conteúdos, competência e habilidades desenvolvidos sobre determinado componente curricular e a que distância estão do que deveriam saber. Os planos de ensino elaborados a partir dessas premissas, a proposta de avaliação respeitando a LDB, lei do sistema e as normativas. Mais um item a avaliação do próprio PPP, como acontecerá, pois, os indicadores devem ser criados ao longo do processo, devido à pandemia.

O PPP deve atender a duas questões: uma de cunho legal, obedecendo leis e normativas e outra ser fiel às propostas pedagógicas ali contidas.

Penso que ao findar o ano letivo, a avaliação do PPP deveria conter um relatório descrevendo não somente as leis e normativas às quais deram suporte às formas de aula não presencial, ou remotas, pois devem acontecer em tempo real, também constar todas as formações que os gestores, docentes e até pais participaram. Indicar também as dificuldades encontradas, os aprendizados. Isso é memória, existe a necessidade do registro para o futuro, por isso a importância da história, se recordar como e porque as alterações foram efetuadas em todo o planeta devido a um vírus.

Quando trato do Projeto, entendo aqueles da Unidade Escolar, bem como da secretaria de educação, sei que alguns sistemas com número pequeno de escolas, os projetos são elaborados praticamente juntos, pois, são pequenas as diferenças entre as escolas e as comunidades, no caso, poderia haver um documento elaborado pela secretaria de educação juntamente com o Conselho Municipal. Eis aqui um órgão fundamental que tem como uma de suas atribuições acompanhar as ações das secretarias, no entanto neste momento, deveria normatizar de forma mais explícita, compreensível a todos que fazem parte da comunidade escolar.

Reconheço serem muitas as atividades, as alternativas, os indicadores, as normas, estão todos sobrecarregados com a quantidade de trabalho, porém estão todos com a mesma meta: acertar.


sábado, 15 de agosto de 2020

2020! Que ano é esse?


  O ano de 2012 trouxe um misto de fim dos tempos, com o fim de um ciclo, visão apocalíptica, de arrebatamento da humanidade, pois poderíamos sentir como findar de uma era de infortúnios para uma situação de colaboração e cooperação entre os humanos. Filmes como O Dia Depois  de Amanhã e 2012, levaram muitas pessoas a rever os indícios de que, de fato, estaríamos vivendo dias derradeiros na terra.

Quando juntamos somente nosso lado emocional, como filtro, para abstrair o contexto, podemos ter a visão unilateral de uma situação.

Vivemos em tempos de agitação, em todos os locais a palavra de ordem é tempo, é dinheiro, isso está subjacente às ações das pessoas correndo para pegar ônibus, metrôs, voos e até elevadores, estão sempre atrasadas. E vem a pergunta, atrasadas com relação a que? A sociedade impõe um pensamento de que é inadmissível não chegar no horário, óbvio, em um contexto de luta para manter o emprego, o padrão de vida, o status. Tudo deve sair de acordo ao cronômetro. Quem assistiu ao filme O show de Truman (1998), sente-se na mesma situação, como se tivesse alguém observando e todo o dia não se pode fugir da rotina.

É uma situação tão controversa, pois quando chega uma folga, quer feriado, final de semana ou férias, aquele dia está todo planejado. A pessoa sente-se “culpada” em estar fazendo nada, até o seu lazer faz parte do cenário, porque é obrigada a descansar.

O ano 2020 não permitiu a ninguém se planejar, interrompeu abruptamente todas as atividades do mundo, literalmente. Até que aos poucos as pessoas passassem a criar novas rotinas, gerando um grande estresse. Outras entraram em quarentena para ver o que iria acontecer. Mas sempre pensando no futuro: quando termina? Como vai ser depois que terminar? Teremos outro tipo de emprego? Como estará a economia?

Sendo o futuro consequência do presente, as perguntas são: como estão vivendo as pessoas, sobre o que pensam, quais seus aprendizados, suas percepções para uma vida menos traumatizante, agora? Pois a enxurrada continua via online, cursos de toda forma e jeito para se atualizar, manter a mente saudável, passar o tempo. Como se o tempo devesse passar rápido para chegar o futuro. Porém, o o futuro é como um horizonte, quando se chega até ele, não está mais ali, está muito longe novamente.

2020 é a escola para esta geração aprender que o futuro são as sementes de pensamentos plantadas agora, neste tempo turbulento. O presente é este que vivemos, assim, devemos aprender as melhores lições deste mestre: o hoje. Com pandemia ou sem pandemia, estamos aqui, hoje.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

ELEIÇÕES, POLÍTICA E PANDEMIA

 

Maria Helena


 Vou me adiantando que não compreendo nada de eleições e muito menos de política partidária, todavia é possível refletir sobre as dificuldades de muitos candidatos, assim como para muitos eleitores poderem acompanhar a história de vida de seu candidato, no cenário atual, pois essa testemunha o seu comprometimento ético com o município.

Ano de eleições, muitos esquecem a pandemia devido o foco nos votos. Outros esquecem a eleição pelas políticas assumidas devido à pandemia, entendendo aqui a política não partidária e sim a arte de defender ideias, de bem governar, assim, diante da crise de saúde, estudam os bastidores dessa com indicadores sociais, culturais e econômicos. Ou seja, a lente é a política, para observar além das estatísticas, pois as mesmas sem um contexto, de nada valem.

Os eleitores em um misto de tentar levar a rotina com novos óculos, visualizar o essencial, sem perder de vista a realidade, estão ainda em processo de adaptação ao paradigma instalado.

Os candidatos, políticos por profissão, possuem toda uma prática, um fluxograma, um endomarketing o qual lhes assegurou sua vida política partidária, até então. Contudo, contam com um novo cenário construir sua campanha utilizando o mínimo do qual sabem usar, fazer suas “promessas” em palanques comovendo muitos, às lágrimas. O que muda? Dependendo da compreensão dos candidatos, muda pouco. Somente ter elaborado um planejamento estratégico, ter seguido seu cronograma de forma minuciosa, atendendo todas as leis e normativas referentes ao assunto, não ter medo do público, contar com assessores comprometidos com sua plataforma, pelo menos identificar as redes sociais, as ferramentas tecnológicas, saber o que cada uma pode oferecer e a qual público essa chega. Porque em um país com mais de 5.500 municípios, temos municípios com 2 mil habitantes, onde todos se conhecem, sendo menores que muitos bairros de outros centros, assim como temos municípios com 12, 6, três milhões de munícipes, e com cem a duzentos mil habitantes, seria a média. Desses, quantos são eleitores? Ainda continuam no município, principalmente em áreas rurais onde os jovens saem para estudar e não voltam mais. Quantos votos na condição opcional, voto obrigatório?

 Quantos serão candidatos a prefeito? E à vereança? Quantos são políticos de carreira? Sempre visando o partido que obtenha vantagem. Quantos são sectários? Não deixam seu partido jamais. Quantos estão “debutando”? Portanto, temos um grupo muito heterogêneo em questão de: formação, fator econômico, visão cultural da política, conhecimentos gerais de seu município em todos os aspectos. Quantos conseguem fazer um alinhamento desde o previsto na Constituição Federal, a Estadual, Lei Orgânica, Regimento Interno da Câmara de Vereadores?

O que buscar em cada documento? Qual o diagnóstico do município, lembrando a elaboração de um diagnóstico acontece quando fazemos um levantamento e o comparamos a um padrão estabelecido à priori. Não devendo focar somente em questões negativas e, por outro lado, também nas questões positivas, deve se prever com antecedência os indicadores para esse diagnóstico. Em que medida os citados documentos podem oferecer firmes continentes aos “novos” candidatos? O que é um município? Quais suas responsabilidades, papel de um prefeito, atribuições de um vereador, relações do executivo com o legislativo e com o judiciário.

Interessante acompanhar as “reflexões” e/ou “promessas” de determinados candidatos...obviamente muitos falam orientados por seus “gurus” aquilo que o eleitor deseja ouvir. Porém, outros de forma muito ingênua tratam de questões não pertinentes ao seu papel de acordo com documentos oficiais, indicam desde questões que são de competência do Estado ou em outro extremo, da Associação de Moradores. Tratam de projetos, os quais existem em nível de União, portanto não criará, porém irá fazer algum tipo de cooperação, solicitação. Para mim o horário político é o momento em que o candidato demonstra não ao que veio, mas ao que não veio. Por vezes, dignos de pena, pois estão ali para poder fazer peso nos votos para esse ou aquele partido político.

No cenário da pandemia, ou essa será um espelho retrovisor para poder observar mais lados, ou um funil, se percebendo somente a obrigatoriedade do voto. Tudo isso é aprendizado, mas quanto tempo ainda precisamos para compreender o que é o exercício da cidadania em uma visão democrática?

 

 

  

 

terça-feira, 7 de julho de 2020

A PANDEMIA COMO UMA LENTE PARA PERCEBER OS BASTIDORES DA ESCOLA

The pandemic as a lens to understand the backstage of the schoo

Maria Helena

Essa pandemia está proporcionando, para aqueles que desejam ver além das aparências, muitos cenários. Como nosso foco é educação escolar, mas essa está dentro de uma rede de linhas entrecruzadas, não há como deixar certos vetores de lado: social, cultural e econômico.

A escola vem tentando cumprir sua jornada com todos os entraves que sempre possuiu, não somente a escola pública, também as privadas possuem suas limitações, pois devem seguir as cartilhas. Assim, com a pandemia, o tempo reservado ao deslocamento de sala, de escola, está dedicado ao planejamento e, nunca o docente esteve tão exposto, literalmente por meio de vídeo aulas, até seus animais e familiares estão “aparecendo”, assim, também, a função dos pais de acompanharem seus filhos. Uma das maiores queixas dos docentes e no dizer de estudiosos, essa é uma das diferenças dos alunos brasileiros e dos países com melhores índices de educação, acompanhamento da família na execução das tarefas escolares. Em nome da democracia, a comunidade escolar é extensa, concordo, isso fica claro nas CONAEs, PME, entre outros, para contribuir. Porém, interferir nos currículos de áreas de conhecimentos e/ou até metodologia da Unidade Escolar, ou até nas estratégias de determinado docente, quando não possuem a formação necessária para dialogar com a escola, em meu ponto de vista, a escola perdeu as rédeas e nem sabe quando foi. E a psicologia mostra que quando alguém não assume um lugar, alguém o faz por ele, e a escola é uma organização, e como tal, funciona como pessoas.

A lente da pandemia vem mostrando ao docente e à sociedade que o professor é capaz sim de sair da zona de conforto e utilizar outras ferramentas, além do quadro, giz e Power point. O docente vem se redescobrindo em suas possibilidades, até então limitada por sua própria visão de mundo, de escola e de competência. Consegue visualizar o estudante, participar de reuniões, fóruns, entre outros. Como afirmado em textos anteriores, um novo paradigma não oferece tempo para adaptar-se.

Incursão na história, relativamente recente, questões acontecidas na década de 1980 sobre o fracasso escolar eram incontestáveis, teses de que as crianças não aprendiam devido à fome, essas caíram por terra naquela época quando se questionaram, como aprendem as brincadeiras e jogos da rua, vender picolé e saber fazer cálculos matemáticos “de cabeça” para dar o troco e na escola, no papel não conseguiam calcular. Lógico, a fome e a desnutrição dificultam, levam inclusive à morte. Mas estamos falando de crianças que pelo menos comiam a merenda escolar. 

No momento sabemos de muitas crianças não terem acesso à internet, ou outra forma para participação da educação escolar, além da aula presencial. Havia na época também questão de distância geográfica entre a escola e a casa dos estudantes, os meios de transportes utilizados, etc. Porém, como justificar as crianças e adolescentes da classe social menos favorecidas, mesmo com aulas presenciais sendo reprovadas com muita frequência, porém para aumentar dados, devido avaliações do PISA, e das internas, houve um “manual” de instruções para alavancar com índices de aprovação? Os estudantes eram reprovados não porque havia dificuldades de aprendizagem, e sim a escola era um espaço onde oferecia uma bagagem cultural muito longe daquela que o estudante trazia. Havia um confronto entre conhecimentos, maneiras, crenças externas e internas. E as reprovações atuais? Pense. Ouço muito sobre esse ano letivo não haver reprovação, por conta da pandemia. Há quanto tempo o professor tem que se rebolar para não reprovar estudantes? “Trata-se de educação integral”, não somente o quantitativo tem vez, mas o qualitativo. Eu questiono, quantos docentes ainda pensam que o qualitativo se resume às maneiras, ações dos alunos?  Pois as orientações vêm em forma de normativa, sem referenciais teóricos e sabemos da falta de leitura do professor brasileiro da educação básica. Não entrarei no mérito da questão.                  

Muitas pesquisas são realizadas na área da educação, sendo estudadas pelos próprios docentes do pós-graduação, publicando seus artigos, participação em congressos, leitura pelos graduandos dos cursos de licenciaturas, por obrigatoriedade. Contudo, o docente que está diariamente em sala de aula essas pesquisas, dados, não chegam e se chegam há um abismo imenso entre as teses e o chão da escola, e o docente não consegue articular sua teoria decorrente de sua prática com as teorias oriundas de pesquisadores por profissão. Assim, os experts afirmam muitas “verdades” totalmente isoladas da escola, enquanto deveria estar encharcada da realidade para poder, de fato, contribuir com os profissionais da educação escolar. O professor da sala de aula precisa sim continuar estudando, porem ancorado em sua prática, não cursos criados por quem presume quais as necessidades deste profissional, um aglomerado de conferências, onde muitas vezes o docente não consegue fazer conexão com seus próprios conhecimentos.

Não somente docentes estão nesta situação de insegurança, gestores, coordenadores. A escola deve ter nas mãos as rédeas de seu PPP, questionando o que é uma escola democrática. Porque democracia não é agradar a todos, nem significa que a maioria vence. Alguém ainda lembra o papel social da escola neste contexto em que estamos vivendo? Como a escola pode presentificar seu real valor para ser reverenciada diante da sociedade? Quais verdades ganharam visibilidade com a pandemia? Vale a reflexão, sem balizas partidárias, pretextos, e sim pensando no coletivo, nas crianças, jovens e adultos que necessitam de uma escola cumpridora de seu papel social com ética. E adianto, não é complexo é simples, mas não fácil, pois há que buscar raízes...as âncoras.