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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Avaliação do processo Ensino Aprendizagem

Avaliação do processo Ensino Aprendizagem
Professora Maria Helena da Silva Meller


A avaliação escolar vem sendo discutida em todas as instâncias educacionais, no entanto a sua prática leva o professor a resistir às mudanças emanadas dos avanços determinados pelos novos paradigmas e, também, decorrentes da própria legislação.
Na ação de avaliar deve-se refletir sobre todos os elementos que compõem o processo ensino aprendizagem, pensar na própria prática para poder tomar uma atitude para o presente e para o futuro. Portanto, o ato de avaliar é processual.
Neste sentido, o ato de avaliar implica em novo olhar para o próprio ato de planejar. O planejamento precisa ser modificado, a proposta metodológica deve ser adequada à nova proposta de planejamento em função da nova compreensão do processo de ensinar.
O processo de ensinar é ressignificado porque há um novo entendimento sobre a aprendizagem, concebendo-a da forma interativa, participativa, todavia com rigor. Esse rigor, no entanto, não pode mais acontecer de forma arbitrária, deverá ser construído de forma coletiva, levando o grupo a compreender a sua necessidade.
Neste contexto, os instrumentos avaliativos deixam de ser ferramentas coercitivas, passam a ser instrumentos necessários para o diagnóstico dos elementos que envolvem o processo educativo. A “prova”, nesta concepção, passa a ser mais uma oportunidade de aprendizagem, inclusive para o professor, pois a própria “prova” precisa ser estudada e revista, no sentido de aprimorá-la.
Esses avanços vêm permeando o discurso do professor, no entanto a prática ainda está distante da necessária. Tradicionalmente a avaliação vem sendo desenvolvida em um sentido unilateral, ou seja, o professor avaliando o aluno, ou de forma mais clara, classificando e quantificando o aluno por meio de nota. No caso a avaliação é concebida como um fim em si mesmo.
O professor necessita enfrentar-se, aceitar-se em seus limites para poder propor uma nova postura diante deste processo de avaliar. Para tanto, a participação em palestras, seminários e as leituras são fundamentais ao professor. Destarte, também é fundamental que aceite com humildade que tudo muda, não é simplesmente aceitar o novo por ser novo, mas segundo Paulo Freire, na medida em que lhe é útil.
Devemos respeitar a trajetória histórica do ato de avaliar na educação, contudo devemos pautar o nosso fazer pedagógico no presente, desenvolvendo aprendizagens significativas para o sujeito, para a sua vida cotidiana.


AVALIAÇÃO NA LDB 9394/96 – ARTIGO 24

A verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:
a. avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
b. possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
c. possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;
d. aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos.

 ALGUNS EQUIVOCOS COM RELAÇÃO À AVALIAÇÃO:
• Tornar a avaliação somente como um ato de aplicar provas, atribuir notas e classificar os alunos;
• Utilizar a avaliação como recompensa aos bons alunos e punição para os desinteressados e indisciplinados;
• O professor confiar demais em seu “olho clínico”, dispensando verificações (provas, produções escritas) no decorrer das aulas;
• Professores que rejeitam as mediadas quantitativas de aprendizagem (provas, produção de trabalhos científicos, etc...) em favor dos dados qualitativos (participação nas aulas, relacionamento interpessoal, etc..).

 Conceito:
“A prática da avaliação da aprendizagem, para manifestar-se como tal, deve apontar para a busca do melhor de todos os educandos, por isso é diagnóstica, e não voltada para a seleção de uns poucos, como se comportam os exames. Ela é inclusiva, democrática e amorosa. (...) Não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente, em busca do melhor. Sempre!” Cipriano Carlos Luckesi - UFBA

Importante: A avaliação deve utilizar instrumentos e critérios coerentes com a metodologia, os objetivos e os conteúdos desenvolvidos. Jamais utilizar um instrumento, bem como uma estrutura nova na hora da prova, sem que tenha sido trabalhado em sala de aula anteriormente.
Ao definir um critério, por exemplo, PARTICIPAÇÃO, o professor deve já prever os indicadores, ou seja, o que indica que o aluno participa. Isto com antecedência e transparência. Os alunos devem saber de que forma estão sendo avaliados. Os critérios não podem mudar no decorrer do processo de forma eventual pelo professor, sem que haja uma justificativa pedagógica, no caso utilizar o critério como castigo.

Prova operatória:

 É um instrumento que possibilita ao aluno demonstrar os conhecimentos construídos ao longo do processo de aprendizagem.
• Pode ser composta por perguntas ou problemas. Deve contextualizar a questão, ter parametrização, levar à escrita e a leitura e não a pura memorização.
As questões devem ser formuladas utilizando-se palavras operatórias. Ex: Analise, classifique, compare, critique, imagine, serie, levante hipótese, justifique, explique, interprete, suponha, reescreva, descreva, localize, opine, calcule, determine, comente, substitua, exponha, construa, relacione, sintetize e outras.

Referências:

HADJI, Charles. A AVALIAÇÃO DESMISTIFICADA. Porto Alegre: Artmed, 2001. HOFFMANN, Jussara. AVALIAÇÃO MEDIADORA: UMA PRÁTICA EM CONSTRUÇÃO DA PRÉ ESCOLA À UNIVERSIDADE. Porto Alegre 2001.
LUCKESI, Cipriano Carlos. O QUE É MESMO O ATO DE AVALIAR A APRENDIZAGEM? Porto Alegre. 2000.
MORETTO, Vasco Pedro. PROVA UM MOMENTO PRIVILEGIADO DE ESTUDO. RJ,DP&A, 2004.
ROMÃO, José Eustáquio. AVALIAÇÃO DIALÓGICA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS. 2 ed. São Paulo: Ed. Cortez, 1999.
RABELO, Edmar Henrique. AVALIAÇÃO: NOVOS TEMPOS, NOVAS PRÁTICAS. Petrópolis. Ed. Vozes, 1999.
WEFFORT, Madalena Freire. AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO. Série Seminários. Espaço Pedagógico. 1997.
VASCONCELOS, Celso dos S. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM – PRATICAS DE MUDANÇA: 3 ed. São Paulo: Libertad 1998.

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